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VAMOS FALAR SOBRE QUILOMBO

Atualizado: 12 de mar.

Para iniciar nossa narrativa, trago uma definição da palavra dada pela Associação Brasileira de Antropologia:


“Contemporaneamente, o termo Quilombo não se refere a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou de comprovação biológica. Também não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogênea. Da mesma forma nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados, mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram práticas cotidianas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos e na consolidação de um território próprio. ” (ABANT, 1994 apud O’DWYER, 2002).


Em paralelo, eis o conceito que pode ser rapidamente encontrado na enciclopédia livre da internet (vulgo Wikipédia):


“Quilombo é o nome dado aos espaços e as comunidades criadas por populações que se formaram a partir de situações de resistência territorial, social e cultural no Brasil, com funcionamento baseado na cultura e tradição (normalmente em comum) das pessoas que neles habitavam [...].”


Em uma nova busca, no site “observatório de favelas”, outra definição:


“Sob uma perspectiva de ancestralidade e com protagonismo negro, os Quilombos configuram-se como uma importante ferramenta na manutenção da história do povo negro e também como espaços de acolhimento, resistência e identidade negra. ”




Os destaques em negrito em cada uma das definições foram feitos por mim de forma proposital. Se essa fosse uma conversa presencial com vocês, queridos leitores, eu faria a seguinte pergunta: Qual a essência da palavra Quilombo?


E nesse caso não precisamos, necessariamente, considerar o conceito epistemológico da palavra. Os trechos grifados induzem a possível resposta, e ao mesmo tempo permitem seguir com uma reflexão para o restante do texto.


Independente do conceito que encontrarmos em qualquer que seja a fonte de pesquisa, a ideia de comunidade que luta por seus entes, pela sua identidade, liberdade, por seu pertencimento e por sua sobrevivência vai estar presente. Seja explicitamente ou nas entrelinhas do texto conceitual.


Então, dando a minha resposta para a pergunta feita acima, eu diria que um quilombo, seja em um contexto 2023 ou aquele instituído no período colonial, conserva a mesma essência: um espaço de identificação, cooperação, acolhimento, luta e resistência do povo preto.


Identificação por buscar manter viva nossa raiz ancestral, seja pelo Soul/Jazz que toca no ambiente em que nos reunimos, sejam pela roupa que escolhemos vestir que remete à alguma personalidade negra, a maneira como usamos nosso cabelo.... Seja pelas conversas sobre o que acontece em um ou outro programa de Tv, e como isso se relaciona às questões raciais deste país. Seja pelas manifestações nas ruas ou nas redes sociais contra falas, ações e posturas racistas. Seja por tantas outras formas que fazem com que olhemos uns para os outros.


Cooperação por, de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, almejarmos todos crescer, prosperar, e sermos melhores a cada dia. E contarmos para isso, com a ajuda um do outro. Seja por um comentário em um post de Instagram, uma indicação profissional, um evento onde seremos ouvidos e vistos. Não importa. O que importa e formarmos nossa rede de apoio.


Acolhimento, por definitivamente nos identificarmos com nossas dores e marcas que seguem reais e vivas. Acolhimento por sabermos que a estrada ainda é longa, mas que somente seremos capazes de seguir e promover mudanças se estivermos juntos e unidos. Nem sempre com as mesmas opiniões, mas sempre em busca das mesmas ações, respostas e definições que por tanto tempo permaneceram ignoradas, esquecidas. Acolhimento porque sabemos onde nosso povo já esteve, e para onde ele deseja seguir.


Luta e resistência! Pela liberdade de sermos quem somos, de sonhar o que sonhamos e de realizar nossos projetos. Para fazer acontecer, mesmo diante de circunstâncias desfavoráveis, para dizer o mínimo. Para não permitir que o que fizeram conosco (e ainda fazem) transforme-se no que faremos com nossas vidas. Para que toda maldade, covardia, preconceito e injustiça tornem-se combustíveis para ressurgirmos ainda mais fortes. Com o proposito ainda mais claro de que nós nascemos para ser livres e prosperar diante de nossa própria grandeza.


Isso, queridos leitores, é o que eu diria ser a essência que permanece mantendo viva a chama que aquece, ilumina e evidencia um quilombo. Lugar de pouso, abrigo, união. Lugar onde fazemos o que acreditamos, acontecer.


E por essa essência, somos um Quilombo. O Café Quilombo. Somos quilombo porque usamos a união de profissionais com propósito de ajudar a reescrever a história do povo negro com o café. O café, que nasceu na África, mas atualmente não conta com protagonismo negro, sendo as razões para isso múltiplas, que nos renderiam outra reflexão.


Por hora, concluo por aqui, dizendo que nosso trabalho é usar a segunda bebida mais consumida no mundo como veículo para aumentar o conhecimento sobre as personalidades de resistência negra que fizeram parte da história do Brasil, para muito além da narrativa eurocêntrica que estamos acostumados a ouvir.


Seja bem-vindo ao nosso Quilombo!




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