Dá-lhe samba! Dá-lhe Tia Ciata! Quituteira, Animadora cultural, Yalorixá!

Tia Ciata, cujo nome de nascença era Hilária Batista de Almeida, nasceu no ano de 1854 em Santo Amaro – BA. Chegou ao Rio de Janeiro em 1876, aos 22 anos, residindo inicialmente na Rua General Câmara, depois na Rua da Alfândega e por fim na Rua Visconde de Itaúna (próxima à Praça Onze), para onde levou o samba de roda.


Em sua casa, diversos personagens do samba e compositores importantes estiveram presentes, sendo em uma destas reuniões, por exemplo, onde nasceu o samba "Pelo telefone", de Donga e Mauro de Almeida.


Trabalhou como quituteira, carregando em seu coração a convicção no candomblé e em suas vestes a essência da Bahia! Fez de sua vida um trabalho constante, tornando-se com as outras tias baianas (Bebiana, Mônica, Carmem, Perciliana, Amélia, dentre outras), a iniciadora da tradição das baianas quituteiras no Rio de Janeiro.



Nas festas, suas habilidades de partideira a destacavam nas rodas de partido-alto, e seu neto Bucy Moreira aprendeu com ela o segredo do "miudinho", uma forma de sambar de pés juntos que exige destreza e elegância, no qual Ciata era mestra.


Ela não deixava o samba morrer nem as panelas esfriarem, por vezes promovendo em sua casa saraus com chorões e bailes maxixados no salão da frente, sem esquecer um bom samba lá no fundo do quintal, sempre com uma cerimônia de candomblé encerrando as festividades. Mãe-de-santo afamada, Tia Ciata festejava seus orixás.


A polícia perseguia esses encontros, uma vez que o candomblé era uma religião proibida na época. Mas não seria de se estranhar que o preconceito não era apenas religioso. Porém, dentre tantas habilidades Tia Ciata também era curandeira, e acabou sendo chamada para curar uma ferida persistente na perna do então presidente da república Venceslau Brás, deixando então de ser perseguida. Em troca do favor, Tia Ciata pediu um emprego para seu marido, João Batista da Silva, com quem teve 14 filhos.


Sua morte, em 1924, encerrou uma época, à partir da qual progressivamente o povo preto passaria à frequentar diferentes ambientes na vida cultural e social carioca. Até hoje sua casa é referência do samba e do candomblé no Rio de Janeiro.


Referências

Jarid Arraes. Livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordeis. 1ª Edição – São Paulo: Seguinte, 2020

https://dicionariompb.com.br/tia-ciata/biografia

https://www.tiaciata.org.br/tia-ciata/biografia



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