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  • Sandra Regina

Arábica e Canéfora – Quem são eles?

A árvore do café é um arbusto que pode atingir até 10 metros de altura em seu ambiente nativo. Produz flores que lembram jasmim e em seus frutos encontramos as sementes, que é a parte que origina a bebida que tanto amamos.


Botanicamente pertence à família das Rubiáceas (Rubiaceae), onde a grande maioria das espécies estão agrupadas dentro do gênero Coffea. Há diversas espécies de café no mundo, porém as duas comercialmente mais utilizadas são Coffea arabica e Coffea canephora (Arábica e Canéfora, respectivamente).


COFFEE ARÁBICA OU 100% ARÁBICA – RAINHA DANDARA


O Coffea arabica é oriundo da Etiópia, adaptado ao clima tropical úmido e temperaturas amenas. A faixa ideal para seu cultivo está entre 17ºC e 25ºC, embora expresse melhor todo seu potencial produtivo sob médias anuais entre 18ºC e 22ºC. Como altitudes mais elevadas propiciam menor temperatura ambiental, essa espécie também responde bem à essa característica. As plantas de Arábica são mais sensíveis à pragas e doenças, os grãos obtidos de suas sementes originam bebidas sensorialmente mais complexas e é menos produtivo quando comparado ao Coffea canephora. O teor de cafeína nos grãos também é menor, apresentando em torno de 1,2 a 1,3%.


COFFEE CANEPHORA OU ROBUSTA – RAINHA TEREZA


Já o Coffea canephora é originário da África Ocidental, do planalto de Uganda passando pelo Rio Congo. As plantas dessa espécie são mais rústicas, com maior resistência a pragas e doenças, mais adaptadas a climas quentes e úmidos, com temperaturas em torno de 22 a 26°C e baixas altitudes. É sensorialmente mais simples em relação ao Arábica, porém mais produtivo e com teor de cafeína mais alto, entre 2,2 a 2,4%. Dentre as variedades comerciais desta espécie, podemos citar a Robusta e a Conilon, mais utilizadas em todo o mundo.


Essas duas espécies podem ser subdivididas em variedades, que são o resultado do cruzamento ou mutação natural das mesmas. Pode haver ainda o cruzamento artificial das duas espécies de café, resultando no chamado “híbrido interespecífico”. Quando utilizamos o termo “Cultivar de café” estamos nos referindo à cruzamentos artificias feitos por pesquisadores em laboratório, que objetivam selecionar uma ou mais características específicas na planta, como resistência à alguma doença ou porte reduzido do arbusto para facilitar a colheita.


Um exemplo de variedade de café Arábica é a Típica, a qual acredita-se ser a “mãe” de todas as demais. Ou ainda a Mundo Novo, nascida do cruzamento natural entre Típica e Bourbon vermelho. Já um exemplo de cultivar seria a Catuaí vermelho, obtida a partir do cruzamento artificial entre Caturra e Mundo Novo.


O café Arábica é responsável pelo abastecimento de quase todo o mercado de cafés especiais nacionalmente, enquanto que o café Canéfora é destinado principalmente à indústria do café solúvel. Além disso, por ser mais produtivo e rústico, é utilizado na composição de misturas (blends) com o café arábica visando principalmente a redução de custos na industrialização dos café presentes nas prateleiras do supermercados.


Você já deve ter ouvidos que o Coffea canephora tem uma qualidade inferior em termos sensoriais. Como já mencionado, em parte isso é verdade se compararmos esta espécie com o Arábica. Porém a qualidade sensorial de um café é muito influenciada pelo manejo adequado em campo, bem como com o processamento pós colheita visando a qualidade. A conscientização dos produtores quanto à isso têm possibilitado a obtenção de Canéforas incríveis, com suas características específicas, mas tão marcantes quanto o Arábica.


Mas quando posso considerar um café especial? Quais as características para fazer esse tipo de classificação? Quem determina isso? Fiquem ligados nas próxima postagens, onde traremos maiores informações sobre esse assunto.


Até breve!


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