A real história do café.

Atualizado: Out 15

Reza a lenda que em 575 depois de Cristo Kaldi, um pastor de cabras da Etiópia, resolveu experimentar os frutos de um arbusto, após observar o efeito excitante que provocavam em seus animais. Ao fazer isso, desfrutou de sensações energizantes e dizem que os monges da região, ao observarem Kaldi e suas cabras, resolveram estudar melhor os efeitos deste fruto. Então tostaram, colocaram na água para esfriar e em seguida tomaram o que chamaram de elixir, sentindo então a energia e clareza mental antes contadas pelo pastor de cabras. Dali em diante, os monges passaram a utilizar o café para manterem-se acordados durante as orações noturnas.


Essa é uma das muitas histórias contadas sobre como o café começou a ser preparado e consumido. É uma lenda... Mas o que se pode afirmar com certeza é que o centro de origem do café é a Etiopia, no continente Africano. Sim, foram os etíopes os primeiros apreciadores de café, e hoje a tradição no preparo da bebida continua! Em um ambiente decorado com folhas e perfumado com incenso, todos se sentam em círculo diante dos instrumentos que serão usados na Cerimônia do Café. Realizada pelo menos três vezes ao dia, é mais comumente conduzida pela mulher da casa, que se utiliza de seu vestido branco com bordas de tecido colorido. São, no mínimo, três rodadas de café, cada uma com seu significado. O perfume resultante da torra se mistura ao ambiente, trazendo uma sensação de paz e felicidade e criando uma conexão entre todos que estão ali. A Cerimônia se encerra quando os participantes tomam a terceira xícara da bebida. Atualmente, o café ocupa um lugar sagrado na Etiópia, envolvendo mais de 12 milhões de etíopes e sendo responsável 60% dos ganhos econômicos do país. Talvez um antigo provérbio descreva melhor o lugar do café na vida etíope: “Buna dabo naw”, que quando traduzido significa “Café é o nosso pão!”.


Saindo do continente Africano, o café chegou até os árabes que iniciaram o plantio comercial no século 14. Foi introduzido na Europa em 1615 pelo porto de Veneza, cidade italiana que mantinha relações comerciais com os turcos. Porém, somente foi consumida publicamente na Europa em meados do século 17. Ao lado dos holandeses, os franceses começaram a cultivar o cafeeiro, quando o burgomestre (termo que significa prefeito) de Amsterdã presenteou, em 1714, o rei da França Luis XIV com mudas de rubiácea.



Focando no nosso país, o café arábica chegou pelo norte, mais precisamente no Pará, em 1727, trazido da Guiana Francesa por Francisco de Melo Palheta, o Sargento – Mor Palheta. Em sua trajetória pelo Brasil, o café passou pelos Estados do Maranhão, e na Bahia, onde os primeiros cafezais provavelmente foram plantados em 1784-85. Em Santa Catarina, foi plantado pela primeira vez em 1786, com sementes provindas de São Paulo. Campinas foi a porta de entrada do café no Oeste paulista e a primeira cidade a cultivá-lo com fins comerciais, em 1797. Quanto ao Espirito Santo, a data de chegada provavelmente é 1811.


Políticas adotas pelo governo brasileiro em 1970 estimularam a implantação de novos cafezais em inúmeros municípios do Sul-sudoeste. Isso elevou a participação de Minas Gerais na produção nacional, processo que se tornou mais pronunciado a partir de 1978. Atualmente Minas Gerais é o maior estado produtor e exportador de café do Brasil.


A história é linda! Tão linda que chega a assustar como não ganha maior representatividade em um país cujo povo têm em sua essência a cultura africana. Sim, o berço do café, assim como grande parte dos traços socioculturais brasileiros, é o continente africano. Porém, infelizmente o envolvimento deste povo com a planta que abrigam não é dos mais belos. De fato, foi pelas mãos do povo preto escravizado que o café foi cultivado no Brasil por muito tempo.


O café chegou ao brasil na segunda década de 1700, e a escravidão brasileira termina mais de 100 depois deste evento. Comemoramos? Um pouco, mas nem tanto. Sim, aquele terror terminou (pelo menos, teoricamente), porém atualmente o café especial tem ganhado título de nobreza, onde para apreciá-lo é preciso requinte, pompa e circunstância. Hoje, por meio de muitos discursos excludentes, ele acaba ficando na mão de uma elite social e financeiramente privilegiada. É necessário, eles dizem.... Bem, há quem diga que a escravidão também era.


Por isso, o Café Quilombo defende a ideia de que todo mundo pode tomar um bom café de forma acessível! Nosso combustível é o desejo de levar para as pessoas não somente esse elixir milenar chamado café, mas também a história e o conhecimento que o envolve. E com isso, receber reconhecimento e gerar oportunidade para nosso povo que durante todo esse tempo está distante da bebida que nossos ancestrais trouxeram para o mundo.


E como fazemos isso? No ano de 2021, o Café Quilombo iniciou uma jornada para levar conhecimento sobre cafés especiais para população periférica. Não é apenas sobre vender café, é sobre enxergarmos nossa essência em cada detalhe deste lindo universo! Nas embalagens, no processo de produção, no empreendedorismo, e onde mais nos enxergarmos! É o caminho de volta para casa!


Até breve e “Buna Tetu” (beba café em etíope).

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